Prêmio Olivier Toni

Agraciados:

2010: Robson Fonseca (violoncelo)
2015: Igor Picchi Toledo (clarineta)
2015: Rodrigo Antônio Silva (piano)
2016: Israel Cristiano Angeli (violoncelo e composição)
2017: Camila Zanetti (violino)
2017: Lucas Eduardo da Silva Galon (composição)


Regulamento da Premiação (em pdf)

Olivier Toni

Olivier Toni (São Paulo, 1926-2017)

Por Rubens Russomanno Ricciardi
Professor titular da FFCLRP-USP

O compositor, maestro, professor e fagotista paulistano George Olivier Toni foi um dos nomes centrais da música brasileira, e em especial paulista, na segunda metade do século XX. Aluno de Camargo Guarnieri e Hans-Joachim Koellreutter, foi definido certa vez, por Gilberto Mendes, como “síntese dialética do neo-folclorismo e das linhas de Darmstadt”, as principais vertentes da música moderna no Brasil.

Fagotista da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, guardou dali belas memórias, como ter atuado em alguns concertos sob a batuta de Heitor Villa-Lobos. O jovem Olivier Toni ia comprar os charutos a pedido, e depois, fumavam juntos, recebendo a recomendação do grande compositor carioca: “fume o charuto aí meu jovem, porque homem tem que fumar” – episódio este sempre narrado com rara emoção. Mas é claro que, além disso, a monumentalidade de Villa-Lobos iria impregnar o futuro mestre paulistano, que me aconselhava anos mais tardes, “lembre-se disso, Rubens, nas ocasiões mais importantes toque sempre Bach, Mozart ou Villa-Lobos” – cujas obras receberam algumas vezes novas orquestrações por parte do próprio Olivier Toni.

Em sua carreira de maestro destacam-se ainda as inúmeras vezes, sempre a convite de Eleazar de Carvalho, nas quais Olivier Toni regeu como convidado a OSESP e a OSPA, entre outras importantes orquestras brasileiras.

O incansável espírito inovador a bem do serviço público e do desenvolvimento da música em São Paulo e no Brasil, levou Olivier Toni a fundar instituições que hoje são da mais alta relevância na capital paulista. Sempre defendendo e tendo em vista o ensino público e gratuito da mais alta qualidade em seus projetos empreendedores, Olivier Toni é fundador da Escola Municipal de Música de São Paulo (com apoio do então prefeito Faria Lima), Orquestra Sinfônica Jovem Municipal de São Paulo (que posteriormente teve seu nome trocado para Orquestra Experimental de Repertório), Orquestra de Câmara de São Paulo (hoje não mais em funcionamento, mas que fez história em sua época), do Departamento de Música da ECA-USP (do qual foi chefe por muitos anos, tornando-se seu primeiro professor titular, sempre em RDIDP), das Bienais de Música de São Paulo (um dos grandes eventos musicais na história da USP), do Festival de Música de Prados (em trabalho conjunto de décadas com o igualmente saudoso maestro pradense Adhemar Campos Filho), da OSUSP, da OCAM, além de ter me sugerido e incentivado incisivamente a fundar a USP-Filarmônica em Ribeirão Preto.

Olivier Toni concentrou sua atuação acadêmica em duas frentes. De um lado, a pesquisa e o resgate da música mineira colonial, e, de outro, a música contemporânea. Neste sentido, Olivier Toni é um pilar fundamental da história do próprio Festival Música Nova “Gilberto Mendes”, com participação decisiva em inúmeras edições, seja como compositor ou maestro, bem como foi indiscutivelmente o principal líder do grupo que redigiu o Manifesto Música Nova, em 1963, mesmo que seu nome não conste entre os signatários.

Destaca-se em sua atuação como professor e mestre, anteriormente e já depois na USP, a formação de nomes da música brasileira, tais como Gilberto Mendes, Rogério Duprat, Régis Duprat, Willy Correa de Oliveira, Mario Ficarelli, Rufo Herrera, Carole Gubernikoff, Paulo Cesar Chagas, Paulo Sérgio Guimarães Álvares, Marcos Câmara de Castro, Silvio Ferraz de Mello, Silvia Maria Pires Cabrera Berg, Rogério Luiz Moraes Costa, Rubens Russomanno Ricciardi, Cláudio Cruz e tantos outros. Seu último local de atuação como professor foi a USP de Ribeirão Preto, quando já emérito da ECA-USP, deu aulas aqui por alguns anos, colaborando diretamente na consolidação do novo curso, tendo sido responsável direto pela formação ainda de novos valores ribeirãopretanos, entre eles, Lucas Eduardo da Silva Galon e Camilo Calandreli.

Em Ribeirão Preto também, por minha intermediação e de Cláudio Cruz, Olivier Toni chegou a reger por diversas vezes a OSRP nos anos anteriores à fundação da USP-Filarmônica, nossa orquestra acadêmica que só não chegou a reger porque a saúde já não mais lhe permitiu. Mas Olivier Toni ainda assim presidiu a primeira seleção de bolsistas da USP-Filarmônica, em 2011, acontecimento que muito honra nossa história.

De minha humilde pessoa, resta-me a gratidão pelos ensinamentos recebidos, pois devo minha formação intelectual e musical a Olivier Toni. Foram muitas histórias em dezenas de viagens conjuntas a Minas Gerais, buscando sempre fontes primárias de nossa música colonial e nos festivais de Prados. Guardo também como feliz lembrança o grande concerto que idealizei e organizei, em 1991, para que meu mestre Olivier Toni pudesse reger a magnífica Kammerorchester Berlin e o Chor der Humboldt Universität, no grande Schauspielhaus (hoje Konzerthaus), o mais tradicional palco da música sinfônica em Berlim. Apresentamos ali pela primeira vez na Europa algumas das obras de Manuel Dias de Oliveira e José Joaquim Emerico Lobo de Mesquista.

Com a instituição do PRÊMIO OLIVIER TONI (idealizado pela Profa. Dra. Silvia Maria Pires Cabrera Berg e homologado pela Congregação da FFCLRP-USP), a maior condecoração artística do Departamento de Música da FFCLRP-USP, pretendemos não apenas homenagear a memória do grande mestre, responsável pela implantação da Música na USP, como também incentivar os novos talentos musicais formados e revelados pela USP em Ribeirão Preto.

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